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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fugindo ao que foi proposto, mas eu não poderia deixar de publicar essa matéria em meu blog!


15 de outubro de 2010 23:27

Ator José de Abreu causa polêmica no Twitter com duras críticas a Serra

Redação Yahoo! Brasil

O ator José de Abreu causou furor no Twitter, nesta sexta-feira à noite, com uma participação explosiva na Twitcam. Ele defendeu publicamente seu voto em Dilma Rousseff (PT) e fez diversas críticas à candidatura do tucano José Serra, a quem chamou de “fascista”. A transmissão durou mais de duas horas (terminou às 23h29) e chegou a reunir mais de dez mil pessoas.

Em seu perfil no Twitter, José de Abreu se diz “por um governo voltado aos menos favorecidos, Dilma é Lula, Lula é Dilma.”

Logo no início da transmissão, José de Abreu se justificou dizendo que, pelo contrato que tem com a Globo, não pode aparecer na TV fazendo campanha política. “Mas eu não estou na TV, estou no Twitter.”

O ator ironizou a escolha do PSDB de apontar Serra, e não Aécio Neves, como o candidato à Presidência. “Se fosse o Aécio, teríamos um problema”, disse, dando a entender que a vitória de Dilma seria mais difícil. “Valeu a pena o Serra chorar no colo do Aécio e ficar com essa. Mas, realmente, historicamente seria mais interessante uma disputa entre Dilma e Aécio, Lula e Aécio... já o Serra... bom, como disse o Ciro Gomes, Serra na campanha é certeza de baixaria.”

José de Abreu, que tomava uma cerveja durante a transmissão, concentrou suas críticas no vice da chapa de Serra, o deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ). O ator disse que “Serra tem problema no pâncreas e, por isso, não come em público e toma água o tempo inteiro. Já imaginou se ele morre? Para morrer, basta estar vivo. E aí assume o Indio.”

Pouco antes ele já havia dito: “Esse Índio da Costa é um... vocês acham que o Brasil merece um vice-presidente como o Indio? É uma sacanagem do Serra com o DEM. A gente achava que era sacanagem do Rodrigo Maia com o Serra, mas na verdade foi sacanagem do Serra com o DEM (a escolha de Indio). E depois falam que vice não serve pra nada.”

José de Abreu definiu Indio da Costa como “surfista do Rio”. E afirmou que, quando Índio foi perguntado em entrevista se já usara drogas, “ele se calou, ficou quieto.”

Serra se disse a favor do aborto. “Imagina a menina pobre que engravida por um acidente ou por machismo do namorado que não quis usar camisinha”. Falou também sobre liberação das drogas. “É claro que liberar a maconha vai acabar com o tráfico. Aconteceu isso na Holanda. Aliás, não é liberar, é legalizar, é ter controle.”

O ator se irritou com comentários de jovens que o criticaram por suas opiniões. “Tenho 64 anos, cinco filhos e quatro netos. É incrível ver jovens tão reacionários, atrasados, e deve até fumar um baseadinho, fica aqui me criticando. Hipocrisia é fogo.”

Sobrou até para Soninha Francine, coordenadora da campanha de Serra na Internet. Ao ironizar um internauta que se identificou como surfista e eleitor de Serra, José de Abreu disse: “Deve estar com a cabeça cheia de maconha, que nem a Soninha.” Na sequência, emendou: “Não que não exista maconheiro eleitor do PT.”

Ele se divertiu com a sugestão de um internauta: “Não, eu não vou ser Ministro da Cultura. Não quero nenhum cargo público. Nenhum cargo público pagaria o que eu ganho da Globo.”

Perguntado sobre o que achou da eleição de Tiririca para deputado federal por São Paulo, José de Abreu respondeu: “Ele tem o direito de ser eleito. Ele já roubou? Ele já foi pego roubando? Ele é palhaço, eu também sou palhaço. E tem alguém mais palhaço que o Mão Santa (senador do Piauí)?” Em outro trecho, José de Abreu chamou o ex-presidente e ex-prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, de “palhaço.”

José de Abreu foi perguntado também sobre sua amizade com o ex-ministro José Dirceu. “Sou amigo do Dirceu mesmo, assumo, fui lá defender ele em Brasília.”

Sobre seu estilo despojado, José de Abreu disse: “Não estou surtado, não. Sou assim mesmo.” Ele exibiu o copo de cerveja que bebia. “Olhem só: esta é a primeira lata Budweiser que abri. Vejam, o copo está ainda apenas pela metade (...) As pessoas se incomodam com a minha cerveja. Que caretice!”

Ele se irritou diversas vezes com as críticas de internautas que se identificavam como eleitores de Serra e o repreendiam por seus comentários. “Vocês ignorantes, burros, tapados, preconceituosos, que usam a Igreja contra a Dilma, leiam os tuítes do pessoal da Dilma e tentem crescer como seres humanos.”

Sem críticas à Rede Globo
Em outro trecho, disse ser “do interesse da direita que o povo continue sem educação. Quem não tem educação vota na direita. Quem é evoluído, quem é inteligente, vota na esquerda. Você percebe isso pelos próprios tuítes aqui. O pessoal mais evoluído vota na Dilma. Quem é ignorante grita, não sabe argumentar.”

Incitado a criticar a cobertura jornalística da Rede Globo, José de Abreu respondeu: “Não vou falar mal da Globo nem pensar. Estou lá há 30 anos. A Globo é muito boa.”

Ele comentou que estará na próxima novela das 8, “Insensato Coração”, do Gilberto Braga. “A não ser que vocês liguem pra Globo reclamando que eu sou comunista FDP. Mas a Globo não vai fazer isso.”

Collor, Sarney e o Saulo de Passione
José de Abreu também comentou as alianças feitas por Dilma com políticos como José Sarney e Fernando Collor. Sobre o primeiro, explicou que foi uma aliança necessária para que o presidente Lula passasse a ter maioria no Senado e, assim, pudesse ter projetos aprovados. “Por que o José Sarney foi tão execrado? Porque está no poder há 50 anos. Foram dois meses de pancada no Sarney, mas cadê o resultado? O que aconteceu? Foram 45 anos de poder, dois meses de câncer, e agora passou. É um supermercado de escândalos e nenhum dá nada.”

Sobre Collor, foi mais duro: “Vocês acham que a Dilma na presidência vai dar guarida ao Collor? Nem me preocupo com o Collor.”

Ele elogiou a implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro, uma das principais bandeiras levantadas pelo governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB) na área da segurança pública. Cabral é aliado de Dilma. “Estou sentindo uma grande diferença com essas UPPs. Acho uma boa.”

A atriz Fernanda Paes Leme perguntou sobre controle de mídia e José de Abreu respondeu: “Fê, controle da mídia não é censura, como estão falando por aí. Controle da mídia existe em todos os países desenvolvidos. Só em países atrasados não há regulamentação da mídia. Eu jamais seria a favor da censura de conteúdo. Regulamentação da mídia é outra coisa.”

Houve espaço também para perguntas bem-humoradas, como “Quem matou o Saulo em Passione?”, “O que você acha do Justin Bieber?” e “Quem é melhor para o Timão, Parreira ou Tite?”

Obs: Grande Zé de Abreu, se eu já era sua fã, agora sou ainda mais e se eu não fosse passaria a ser desde então!

Um Bom Fim De Semana à Todos! =*.*=

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

As Epilepsias


AS EPILEPSIAS
Vera Amaral

As crises convulsivas da epilepsia são conhecidas desde a Antiguidade, quando, sob o nome de mal comicial, significavam bons presságios para o candidato que tivesse a sorte de, durante seu discurso, um dos ouvintes ter uma dessas crises.

Atualmente a Organização Mundial da Saúde estima em 4% a incidência na população geral. No Brasil estatísticas não muito rigorosas falam em aproximadamente mais de cinco milhões de epilépticos, o que mostra a grande importância médico-social do tema.

Apesar de ser uma doença basicamente neurológica, a epilepsia assume grande importância para a Psicologia não só pelas alterações psicopatológicas observadas, mas também pelo aspecto estigmatizante que ela carrega, principalmente nas populações mais pobres, onde ainda se observa a idéia de que seria contagiosa.


EPILEPSIA É SINÔNIMO DE CONVULSÃO?

Popularmente sempre que se pensa em epilepsia imagina-se uma crise em que o indivíduo cai no chão, "se bate" e "espuma", ou seja, tem uma convulsão. Desta maneira epilepsia e convulsão seriam praticamente a mesma coisa. Na verdade nem toda epilepsia cursa com convulsões, assim como nem todo "ataque" é epiléptico.

Reserva-se o termo epilepsia para os distúrbios transitórios e paroxísticos da função cerebral resultantes de descarga hiperssincrônica de um grande grupo de neurônios, que inicia-se subitamente, cessa espontaneamente e tende a se repetir. A epilepsia na verdade é uma espécie de curto-circuito na atividade elétrica do cérebro.

Com o conceito assim restrito a epilepsia vai se di­ferenciar das chamadas "crises apopléticas", onde há uma diminuição repentina das funções cerebrais geralmente por isque­mia, e também das crises em que a ativação neuronal se deveu a fatores psicogênicos, como nas crises histéricas. Em ambos os casos pode ocorrer convulsão, mas não é epilepsia.

A rigor qualquer um de nós pode ter uma crise convulsiva, desde que o nosso cérebro sofra uma agressão tal que provoque a hiperatividade dos neurônios. É o que ocorre, por exemplo, na Eletroconvulsoterapia, o chamado Eletrochoque, onde devido a uma descarga elétrica na região temporal, o indivíduo desencadeia uma crise convulsiva.

Para a explicitação tão precisa deste conceito foi de fundamental importância o surgimento do Eletroencefalograma, que possibilitou a captação da atividade elétrica do cérebro através do couro cabe­ludo. Isso foi na década de 20, mas ainda hoje esse exame é muitas vezes decisivo no diagnóstico das convulsões.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As crises epilépticas podem ser divididas em dois grandes grupos: generalizadas e focais, tendo por base a observação clínica e eletroencefalográfica.

1. Crises Generalizadas

Também chamadas de centroencefálicas, estas crises se caracterizam pelo fato da hiperssincronia atingir, desde o começo, as duas metades do cérebro de forma sincrônica e simétrica. A origem da hiperssincronia é no sistema reticular do tronco cerebral, que localiza-se no centroencéfalo e tem como função principal o controle da função sono-vigília, e daí difunde-se para todo o córtex cerebral. Clinicamente se caracteriza pela abolição imediata da consciência e o surgimento de fenômenos motores.

Dentre a crises generalizadas pode-se subdividir outros dois tipos: as crise de Grande Mal e as crises de Pequeno Mal.

Crises de Grande Mal - O início é súbito, com perda imediata da consciência e queda ao solo (muitas vezes provocando feri­mentos sérios no paciente). Imediatamente o paciente entra na chamada fase tônica, onde um espasmo intenso deixa toda a musculatura rígida, a respiração cessa, as pupilas se dilatam e os olhos ficam insensíveis ao toque. Há um aumento da pressão arterial e o rosto fica cianótico. Essa fase dura de 10 a 20 segundos, ao final do que o paciente entra na fase clônica, que se caracteriza pela descontração e contração da musculatura de forma rítmica, gerando sacudidas rápidas e violentas de todo o corpo. Nesta fase pode haver emissão de urina e raramente de fezes. Há um aumento da atividade das glândulas salivares que, em função da contração da musculatura, é expelida sob a forma de espuma. Aqui pode acontecer mordida de língua, que muitas vezes atinge proporções sérias. Essa fase dura cerca de 30 segundos, quando as sacudidelas vão se espaçando até cessarem. A crise termina com um sono profundo, que dura cerca de 10 minutos. Alguns pacientes ao invés de sono permanecem em um estado de consciência torporosa, com agitação e pensamento incoerente.

Crises de Pequeno Mal - As crises de Pequeno Mal são pratica­mente típicas da infância e não cursam com convulsão. Geral­mente são crises de muito curta duração. Clinicamente podem se apresentar de três formas:

a) Ausência - Sem sintomas premonitórios o pa­ciente perde a consciência inteiramente e permanece imóvel, não escuta e não vê; o olhar é fixo e vago, a face, pálida. Se estava executando alguma tarefa, para; se estava falando, cala-se. Não há modificação do tônus muscular, e portanto não há queda ao solo. Ao fim de 5 a 15 segundos ele retoma suas atividades onde havia interrompido, sem se dar conta do que ocorreu.

b) Crises Mioclônicas - Há perda da consciência por um tempo de décimos de segundo, com a manifestação clínica de sacudidas musculares mais ou menos intensas, generalizadas por todo o corpo, mas principalmente atingindo cabeça e braços.

c) Crises Acinéticas - Aqui a manifestação clínica é traduzida por uma inibição brusca do tônus postural, que dura menos de 1 segundo, e que pode levar o paciente a cair ou apenas mostrar uma flexão da cabeça sobre o tórax.

2. As Crises Focais

As crise focais ou parciais se expressam quando a hiperssincronia neuronal está restrita apenas a um grupo de neurônios. Aqui, geralmente não há perda total da consciência e a clínica varia de acordo com a região atingida.

São nas crises focais onde se vai observar o fenômeno da aura epiléptica. No estudo das Epilepsias chama-se aura a um tipo de sintoma que antecede em poucos segundo o desencadeamento da crise propriamente dita. Este sintoma é, também, variado, e mostra uma relação com a região cerebral onde a crise está se dando. Assim pode-se observar fenômenos vi­suais (visões de manchas colo­ridas, por exemplo) indicando que a crise é occipital, fenômenos auditivos (audição de sons, músicas, ruídos) indicando tratar-se de crise parietal, etc.. A importância da observação da aura prende-se ao fato de que, muitas vezes, este é o único sintoma da doença, e aponta para um diagnóstico diferencial com as crises generalizadas, já que ela é exclusiva das crises focais.

Dependendo da localização as crises focais podem ter importância puramente neurológica, sem o aparecimento de sintomas psicopatológicos. So­mente a título de informação poderiamos lembrar as chamadas crises Bravais-jacksonianas, que de caracterizam por uma atividade tônica e em seguida clônica, localizada em determinado segmento corporal, sem perda da consciência.

Epilepsia de lobo temporal - Do ponto de vista da psicopatologia a crise focal mais importante é a que atinge o lobo temporal, desencadeando a chamada epilepsia de lobo temporalepilepsia psicomotora. São crises sem convulsão e com uma alteração da consciência do tipo estreitamento, sem a sua abolição. Os sintomas são muito ricos e variam de paciente para paciente. Didaticamente, se poderia notar: ou

Automatismos - realização de atos motores automáticos e inconscientes, que podem ser simples como pentear-se ou abotoar-se, ou mais complexos como caminhar, tomar ônibus, dirigir. Evidentemente que pela alteração da consciência, o paciente não guarda qualquer lembrança de tais atos.

Ilusões e alucinações - visuais (visão de pessoas, bichos, objetos), auditivas (ruídos, zumbidos), olfativas (odores desagradáveis).

Distúrbios do reconhecimento - fenômenos de déjà vu (sensações de já visto, já vivido), jamais vu (jamais visto) ou estados oníricos na presença do estreitamento de consciência.

Outras alterações psíquicas do tipo: ansiedade, medo, agressividade, pensamentos obsessivos e ações compulsivas.

Em função dos sinto­mas produtivos descritos esses quadros são também chamados de psicoses epilépticas, e são algumas vezes confundidos com quadros de esquizofrenia. No entanto, a alteração de cons­ciência presente neles faz o diagnóstico diferencial. Uma condição interessante nestes quadros é que se no seu curso o paciente apresenta uma crise convulsiva, os sintomas psicóticos desaparecem. Essa observação justificou durante muito tempo o uso do Eletrochoque em esquizofrênicos, na tentativa de sustar os sintomas psicóticos pela provocação de uma crise convulsiva. Alguns ainda preconizam este tratamento para as psicoses epilépticas resistentes à medicação. Uma outra condição interessante nestes quadros, e para a qual não há uma justificativa consistente, é que o traçado eletroencefalográfico feito durante sua vigência pode não apresentar qualquer alteração, o que pode dificultar o diagnóstico.

Este tipo de sintomatologia faz também destes pa­cientes a única categoria relativamente perigosa dentre as doenças mentais. O estreita­mento da consciência, a possibilidade de atos automáticos complexos, a agressividade, podem fazer com que esses indivíduos cometam atos violentos, dos quais não guardam lembrança, nem são penalmente responsáveis.

A duração destes quadros é geralmente longa, de vários minutos até horas, não sendo raros os casos que chegam a duram dias. São descritos casos de pacientes que são encontrados pela família depois de alguns dias desaparecidos, há quilômetros de casa, sem que consigam explicar como lá chegaram.

Crises secundariamente generalizadas - Foi dito até agora que nas crises generalizadas há perda imediata da consciência, o que significa que o paciente não se dá conta que teve a crise, e que nas crises focais não há abolição da consciência e o paciente tem sintomas que lhe informam que vai ter a crise - a aura. Há, no entanto, relatos de crises tipo Grande Mal (portanto generalizadas) em que o paciente refere os tais sintomas da aura (portanto focais). Na verdade esse é um tipo particular de crise focal que se generaliza secundaria­mente.

Vamos imaginar que um paciente tenha um foco occipital que lhe provoque sintomas na esfera visual. Quando esse foco entra em atividade (e o paciente refira "visões"), a hiperssincronia pode ser tão intensa que ultrapasse os limites do referido lobo e venha a atingir o centroencéfalo, se irradiando daí de forma imediata para todo o cérebro, o que se expressaria clinicamente sob a forma de uma crise tipo Grande Mal. Diz-se, então, que essa é uma crise focal secundariamente generalizada tipo Grande Mal, mas não o Grande Mal verdadeiro.

QUAL A CAUSA DA EPILEPSIA?

Está claro que qualquer circunstância que provoque danos locais ao cérebro pode se constituir em um foco epiléptico. Assim, desde doenças sistêmicas, como infecções e intoxicações (eclâmpsia, por exemplo), enfermidades que levem a uma diminuição do aporte sanguíneo ao cérebro (descompensações cardíacas, por exemplo), até lesões a própria substância cerebral (traumatismos, tumores) podem se constituir em agente etiológico.

No exame do paciente é, portanto, importante que se tenha informações sobre traumatismos de parto, ou outros traumatismos como quedas, acidentes, lesões. Principalmente quando as crises começam na vida adulta é fundamental se pesquisar agentes desse tipo, porque quando tal acontece é quase sempre indicativo de que danos neuronais sérios estão ocorrendo e o caso passa a ser prioritariamente neurológico.

No entanto, estatisticamente a maior incidência de epilepsia é do tipo generalizada e essas são de causa desconhecida. São as chamadas epilepsias idiopáticas ou essenciais. Vários estudos apontam para a herança como um forte fator predisponente. Estudos iniciais falam de uma concordância em gêmeos monozigóticos de cerca de 86%. Outros mais recentes falam de um taxa de concordância entre pais e filhos de 4,2%, com a ocorrência de 15% de alterações de EEG.[1][1]

QUEM É ESSA PESSOA COM EPILEPSIA

Apesar dos autores clássicos falarem de uma personalidade pré-epiléptica (o tipo gliscróide de Kretschmer), parece que essas características não são muito diferente da população geral. No entanto, parece certo que, uma vez iniciado a ocorrência de crises, a personalidade de alguns indivíduos sofre modificações, que se tornam mais marcadas a medida em que novas crises se sucedam.

Pacientes epilépticos que já sofreram várias crises são, geralmente, pessoas que apresentam alterações em sua função intelectiva: o pensamento torna-se prolixo e perseverante, a memória de evocação torna-se falha. De uma maneira geral são pessoas prestativas e formais, mas facilmente irritá­veis. Essa irritabilidade algumas vezes se manifestam sob a forma de reações em curto-circuito, com uma explosão súbita de agressividade, da qual muitas vezes nem se dão conta ou se arrependem profundamente.

Por outro lado alguns autores negam a existência de tais características, trazendo inclusive exemplos de epilépticos famosos como Machado de Assis, Flaubert e Dostoiewski, cuja produção intelectual falam contra a presença de alterações justamente nesta esfera. Há quem considere as alterações do caráter do epiléptico como simples atitudes reacionais às discriminações que sofrem.

PROGNÓSTICO E TRATAMENTO

Com a evolução dos meios diagnóstico, como o Eletroencefalograma e a possibilidade de detectação e tratamento precoce dos casos, a epilepsia hoje é uma enfermidade perfeitamente controlável. Clinica­mente o paciente pode ficar livre das crises por toda a sua vida, tendo no entanto de se manter em tratamento. Hoje, o grande problema das pessoas portadoras de epilepsia é muito mais social do que médico. A questão do estigma está presente de forma muito marcada e pode se tornar uma questão emocional séria, principalmente quando se sabe que o início das crises está geralmente na infância ou adolescência. Por outro lado algumas limitações na vida do paciente podem ser vivenciadas de forma dolorosa. Ele, por exemplo, vai ter que fazer uso de medicações por períodos muito grande de tempo (quando não por toda a vida), vai ter que evitar o uso de bebidas alcoólicas (em função da medicação) e evitar a fadiga física. Estas restrições, apesar de pequenas quando se com­para a outros tipos de enfermidades, podem fazer o paciente precisar de um apoio psicoterápico concomitante ao acompanha­mento médico.

Dessa forma o prognóstico dos casos de epilepsia controlados é muito bom. Quando se trata, entretanto, de casos em que o controle medicamentoso não foi possível e o paciente continua a ter crises, há a perspectiva de que se desenvolva um quadro de demência epiléptica e o prognóstico se torna muito reservado.

COMO DIFERENCIAR DE OUTROS TRANSTORNOS

Uma grande dificuldade pode ser a diferenciação entre a epilepsia tipo Grande Mal e o grande ataque histérico, onde a expressividade somática do neurótico faz simular, as vezes com perfeição, uma crise epiléptica. É preciso, então, atentar para alguns aspectos: a) a duração da crise histérica é geralmente muito maior que os poucos segundos da crise epiléptica; b) na histeria não há perda da consciência e, mesmo quando o paciente diz não se lembrar de nada, uma entrevista acurada vai descobrir que ele, por exemplo, "ouvia as pessoas falando muito longe..."; c) o ataque histérico não segue a seqüência de fase tônica seguida de fase clônica, típica do Grande Mal; d) os ataques histéricos são geralmente desencadeados por causa emocional, o que não necessariamente (ainda que seja possível) ocorre na epilepsia.


[1][1] - Dados recolhidos de: MAYER-GROSS,SLATER & GROSS - Clinical Psychiatry - Bailliere, Tindall & Cassell, London, 1970. Pag. 454


Uma ótima semana à todos!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estudo de Caso:

Estudo de Caso

Paciente J.S.S, 54 anos, deu entrada em uma Unidade de Saúde com quadro de infecção respiratória, deambulando, acompanhado pelo filho. Hoje, no 30 DIH, encontrado no leito em decúbito dorsal, com estado geral insatisfatório, higiene precária, emagrecido (58Kg), refere estatura média de 1,60cm, expressão facial tristonha, demonstra-se ansioso quanto seu estado de saúde e seu internamento, em companhia de sua esposa. Evolui lúcido, orientado no tempo e no espaço, por vezes, inquieto, contactante com o meio, responsivo aos comandos, em ventilação espontânea com suporte de oxigenioterapia via cateter intranasal a 5l/min., padrão respiratório desconfortável, apresentando tosse produtiva com expectoração amarelada. Normotenso (120x60mmHg), taquisfigmico (120bpm), taquipnéico (28inc/min.), febril (38,5oC). Movimenta-se no leito de forma passiva e com ajuda, aceitando pouco a dieta oferecida, com ingestão de pouca água, refere sono e repouso alterados. Ao exame físico: couro cabeludo íntegro, cabelos alinhados, mucosa ocular hipocrômica, pupilas isocóricas e fotorreagentes, mucosa nasal íntegra, com sujidade e presença de secreção, cavidade oral íntegra, porém apresentando língua saburrosa, com halitose, arcada dentária incompleta, fazendo uso de prótese, acuidade auditiva preservada, pele com turgor e elasticidade diminuídos, descamativa nos membros superiores e ressecadas em membros inferiores, apresentando hiperemia em região sacra, extremidades frias e perfundidas, pêlos e unhas sem sinais de anormalidades. Queixando-se de dispnéia aos esforços, calafrio, desconforto em orofaringe e dor em região torácica ao tossir. Orientado quanto à importância da higiene pessoal, da aceitação da dieta e do seu tratamento para recuperação da sua saúde. Em uso de acesso venoso periférico em membro superior direito fluindo solução glicosada 5% e sem sinais de flebite, eliminações urinária presente (800ml/dia), diurese concentrada, referindo disúria, evacuação ausente há +- 5 dias. Segue em observação.




Problema NHB afetada Justificativa

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Problema NHB afetada Justificativa

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Uma ótima semana à todos e espero que sirva para treinaremººº

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dicionário de Termos Técnicos Médicos e de Efermagem, Iniciados com a Letra "T" e "V".



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T

Tenesmo – Dor na região ano-retal por contração espasmódica do reto, que permanece após evacuação.

Tique - Movimento repetido irregular espasmódico.

Tricoptilose – Cabelos frágeis e bifurcados.

Tumor – Lesão sólida, elevada, com mais de 3 cm de diâmetro.


V

Venóclise – Punção venosa.

Vesícula – Coleção líquida, elevada, com diâmetro de até 1 cm.

Verruga – Vegetação de superfície queratótica.

Vitiligo – Dermatose caracterizada pelo surgimento de placas brancas não pigmentadas de tamanhos variados e, em geral, limitadas por áreas hiperpigmentadas. A pele não pigmentada é susceptível a queimaduras pelo sol. Os pêlos são geralmente brancos nas áreas afetadas, mas nem sempre. Também conhecida como Leucodermia ou leucopatia adquirida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dicionário de Termos Técnicos Médicos e de Enfermagem, Inciados com a Letra "R" e "S".



R

Raquitismo – Desordem que envolve amolecimento e enfraquecimento dos ossos de crianças, principalmente pela falta de vitamina D ou de fosfato de cálcio. Quando em adultos diz-se Osteomalácia.

Recidiva – Reaparecimento da mesma doença.

Regurgitação – Retorno à boca ou garganta do alimento recém ingerido sem esforço de vômito; ocasionado por refluxo intenso.

Remissão – O desaparecimento dos sinais e sintomas da doença.

Ressecção – É a remoção, total ou parcial, de um órgão ou parte de um corpo. É uma operação um pouco maior que uma exérese.

Rinorreia – Corrimento nasal.

Rinite – Inflamação do nariz; nasite; defluxo; constipação nasal.


S

Septicemia – Disseminação de bactérias patogênicas partir de um foco de infecção através da circulação sistêmica.

Sialorréia – Aumento da secreção de saliva.

Sialosquise – Diminuição da secreção de saliva. Ex.: desidratação.

Sinal – Qualquer evidência objetiva de doença detectada ao fazer o exame físico do paciente.

Síncope – Perda súbita da consciência, geralmente acompanhada de perda do tônus postural.

Síndrome – Conjunto de sinais e sintomas de mesma marcha evolutiva porém de causas diversas, que caracterizam um estado mórbido e se repete na população.

Sinergia – Ação simultânea de diversos músculos ou órgãos, na realização de uma função.

Sintoma – Qualquer evidência subjetiva de doença ou descrita pelo paciente.

Sobrevida – Expectativa de vida após a doença.