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domingo, 16 de agosto de 2009

Entamoeba histolytica


Histórico
A freqüência com que esse parasito é encontrado no organismo humano, e sua semelhança com vários amebídeos que vivem no homem, no animal ou meio ambiente, justificam os estudos pormenorizados que têm sido feitos. Aspectos de sua taxonomia, biologia, patogenia e epidemiologia ainda não estão de todos esclarecidos. Com o advento de novas técnicas de estudos, é provável que em futuro próximo se possa conhecer detalhadamente esse protozoário tão importante na nosologia humana.
Nas superclasse Sarcodina encontramos a ordem Amoebida, na qual encontramos a família Endamoebidae, que apresenta as amebas de interesse médico. Essa família tem como espécie tipo a Endamoeba blattae, que é uma ameba comum de baratas, mas não ocorre no homem. A grafia do gênero com a letra d deu origem à denominação da família, as espécies que nos interessam pertencem ao gênero Entamoeba, escrito com t.
Na família Endamoebidae encontramos várias espécies que podem ser encontradas no intestino grosso de vários animais (inclusive do homem) e espécies de vida livre. As especes encontradas no homem são:
- Entamoeba histolytica Schaudinn, 1903- parasita o intestino grosso do homem;
- Entamoeba hartmanni Von Prowazek, 1912- vive (comensal) na luz do intestino grosso do homem;
- Entamoeba coli (Grassi, 1879)- vive (comensal) na luz do intestino grosso do homem;
- Entamoeba gingivalis (Gross, 1849)- vive (comensal) nas gengivas e no tártaro dentário do homem, cão e macaco.
- Endolimax nana (Wenyon & O’Connor, 1917)- vive (comensal) na luz do intestino grosso do homem.
As espécies de ameba pertencentes ao gênero Entamoeba foram reunidas em grupos diferentes, segundo a estrutura dos trofozoítos e principalmente, o número de núcleos dos cistos.
Assim temos:
- grupo histolytica: amebas apresentando cistos com 4 núcleos: E. histolytica (homem); E. hartmanni (homem); E. invadens (serpentes); E. ranarum (sapos); E. terrapinae (tartarugas); E. philippinensis (peixe); E. aulastomi (sanguessugas); E. pyrrhogaster (salamandra); E. knowlesi (tartarugas) e E. moskovskii (de vida livre-esgoto).
- grupo coli: amebas apresentando cistos com 8 núcleos: E. coli (homem).
- grupo poleck: amebas cujos cistos têm 1 núcleo: E. poleck ( é uma ameba comum de suínos, mas que pode ser encontrada no homem; não é patogênica ).
- grupo gingivalis: amebas que não têm cistos: E. gingivalis ( encontrada na cavidade bucal do homem, cão e macaco; não é patogênica).
Das espécies de amebas citadas, “somente uma, a E. histolytica, tem atividade patogênica no homem, embora em muitos casos possa habitar o organismo humano como comensal inofensivo” (Cunha, A.S.).

Classificação: Filo, Classe, Família, Gênero, Espécie.
Filo: Sarcomastigophora, Classe: Lobosae, Família: Endamoebidae, Gênero: Entamoeba, Espécie: Entamoeba histolytica.

Morfologia das formas evolutivas encontradas no ciclo do parasito
A Entamoeba histolytica apresenta-se sob duas formas fundamentais: o trofozoíto, e o cisto.
O trofozoíto mede cerca de 20 micra. Apresenta movimentos amebóides contínuos, não possuindo forma definida; entretanto, quando fixado e corado pela hematoxilina férrica, pode tomar a forma esférica. Possui as seguintes características:
- Citoplasma: dividido em ectoplasma (claro e uniforme) e endoplasma (granuloso e vacuolizado), às vezes com presença de hemácias.
- Núcleo: apresenta uma cromatina delicada, uniforme e fina, aderida à membrana nuclear, enquanto o cariossoma na maioria das vezes é pequeno e central.
O cisto apresenta-se nas fezes como pequenas esferas medindo cerca de 12 micra. A parede é dupla; nos cistos jovens, temos apenas 1 núcleo e 1 vacúolo de glicogênio volumoso que, quando corado pelo lugol, apresenta a cor castanha. O cisto maduro aparece com 4 núcleos e corpos cromatóides em forma de bastão, com ponta romba.

Habitat
Os trofozoítos são encontrados em colônia na luz do intestino grosso ou nas úlceras que provocam na mucosa do ceco, colo descendente e reto-sigmóide. Algumas vezes, podemos encontrá-los em lesões hepáticas (abscessos amebianos), pulmonares, cerebrais ou cutâneas.

Forma evolutiva infectante e principais mecanismos de infecção
A forma evolutiva infectante é o cisto maduro. E os mecanismos de infecção são através de ingestão de cistos maduros, juntamente com alimentos (sólidos ou líquidos). O uso de água sem tratamento, contaminada por dejetos humanos, é um modo freqüente de contaminação; ingestão de alimentos contaminados (verduras cruas, frutas) é importante veículo de cistos. Alimentos também podem ser contaminados por cistos veiculados nas patas de baratas e moscas (essas também são capazes de regurgitarem cistos anteriormente ingeridos). Além disso, falta de higiene domiciliar pode facilitar a disseminação de cistos dentro da família. Os “portadores assintomáticos” que manipulam alimentos são os principais disseminadores dessa protozoose.

Explicar o ciclo não-invasivo (não patogênico) e o invasivo (patogênico)
A E. histolytica, por sua vez, possui duas formas: uma, grande patogênica, invasora de tecidos, chamada “forma magna”, virulenta ou invasora; outra, pequena, encontrada na luz dos intestinos, chamada “forma minuta” avirulenta ou não invasora.
Essas expressões “forma magna” e “forma minuta” são muito controvertidas. Os pesquisadores mais modernos preferem denominá-las de “forma invasiva” para a ameba capaz de produzir as lesões intestinais e hepáticas e “forma não invasiva” para a E. histolytica encontrada na luz intestinal.
A “forma invasiva” apresenta trofozoítos medindo cerca de 32 micra de diâmetro e é dada quando os trofozoítos tornam-se patogênicos e invadem a parede intestinal, alimentando-se de células da mucosa e de hemácias. É encontrada dentro das úlceras intestinais, hepáticas, pulmonares, cerebrais ou cutâneas. Também são vistas em fezes diarréicas. Alguns autores afirmam que a “forma invasora” não é capaz de formar cistos. Entretanto, observações recentes sugerem que, durante a fase aguda da doença (disenteria mucosanguinolenta), realmente não há tempo para que haja a desidratação do protozoário e a formação de cistos, mas no período crônico, quando não há diarréia, formam-se cistos.
A “forma não invasiva” apresenta trofozoítos medindo cerca de 15 micra de diâmetro. É uma ameba muito ativa. É encontrada na luz intestinal. Essa “forma não invasora” é capaz de produzir cistos normalmente (uma vez que não causa disenteria). Caso seu portador apresente diarréia (devido a qualquer agente etiológico ou mesmo por ação de purgantes), os trofozoítos poderão ser encontrados em fezes liquefeitas.

Principais sintomas da amebíase na forma intestinal e extra-intestinal
Os sintomas das pessoas com amebíase vão desde a diarréia com cólicas e aumento dos sons intestinais até a diarréia mais intensa com perda de sangue nas fezes, febre e emagrecimento. Nestes casos ocorre invasão da parede do intestino grosso com inflamação mais intensa e os médicos chamam de colite. Podem ocorrer ulcerações no revestimento interno do intestino grosso, por esta razão o sangramento. Raramente a infecção causa perfuração do intestino, quando ocorre a manifestação é de doença abdominal grave com dor intensa, rigidez e aumento da sensibilidade da parede além de prostração extrema da pessoa afetada. A doença pode apresentar-se de forma mais branda com diarréia intermitente levando muitos anos até surgir um comprometimento do estado geral. Não muito comumente o protozoário pode penetrar na circulação e formar abscessos (coleções fechadas no interior de algum órgão ou estrutura do corpo) no fígado que causam dor e febre com calafrios. Estes abscessos podem romper-se para o interior do abdômen ou mesmo do tórax comprometendo as pleuras (camada que reveste os pulmões) ou o pericárdio (camada que reveste o coração). Também raramente podem formar-se tumorações no intestino que se denominam “amebomas”.
As situações de doença extra-intestinal ou invasiva são as que levam aos casos mais extremos que evoluem para a morte do indivíduo infectado.

Caracterize o tipo de diarréia provocada por esse parasito.

Diarréia é ácida, com grande quantidade de material fecal, pouco exsudato celular, mas com sangue em maior ou menor volume, apresentando as hemáceas degeneradas; encontra-se também cristais de Charcot-Leyden, poucas bactérias e amebas.

Principais medidas profiláticas.

Os alimentos mais freqüentemente contaminados são os vegetais cultivados junto ao solo. A higiene destes alimentos crus deve ser rigorosa com detergentes potentes seguido de imersão em solução de vinagre ou ácido acético por 10 a 15 minutos. A água somente após ser fervida fica totalmente livre destes protozoários. O tratamento adequado destes pacientes, ajuda a eliminar fontes de propagação da doença, principalmente na zona rural onde a água tratada não é sempre disponível. Os hábitos gerais de higiene como lavar as mãos após o uso do sanitário são medidas de educação que com certeza contribuem na prevenção. A fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos pela vigilância sanitária é de suma importância.

Diagnóstico (parasitológico e imunológico) e tratamento.

O exame de fezes detecta o parasita com alguma facilidade, os métodos são as técnicas de sedimentação espontânea, técnica de sedimentação por centrifugação e o método direto. A forma mais invasiva depende do que os médicos chamam de exames de imagem (tomografia computadorizada, ecografia ou ressonância magnética). Algumas vezes para confirmação diagnóstica , além do exame de imagem os médicos usam agulhas finas para puncionar os abscessos. Nas formas mais invasivas, quando o diagnóstico não for possível por identificação do cisto utiliza-se exames de sangue para a detecção da presença de anticorpos contra o parasita. O diagnóstico imunológico da E. histolytica está sendo largamente estudado, apresentando resultados muito promissores. Os métodos que apresentam maior sensibilidade são: hemaglutinação indireta, imunofluorescência indireta e contraimunoeletroforese.

Apesar dos parasitos Endolimax nana, Entamoeba coli e Iodamoeba butschlii não provocarem alterações patogênicas no organismo humano sadio, o encontro dos mesmos deve constar em laudos dos parasitológicos de fezes. Por quê?
R- Pelo fato de quaisquer alterações orgânicas que porventura vier a afetar o indivíduo, essas amebas podem passar a ser patogênicas para o mesmo. E também, como é um laudo, é de suma importância expor os achados em microscopia para uma maior precisão do laudo.

Um comentário:

Adrielle Barreto disse...

Não. Iodamoeba butschlii, Endolimax nana e Entamoeba coli não podem passar a ser patogênicas no organismo do indivíduos, elas são não-patogênicas em qualquer situação. A única ameba que possui um ciclo patogênico é a Entamoeba histolytica. Essas amebas não patogênicas devem constar no laudo, porque, se o indivíduo está infectado com alguma delas, provavelmente estará infectado com Entamoeba histolytica, ou exposto a essa infecção.